Oct 7, 2026

O exame encontrou. E agora? Como transformar achados cardiovasculares em população acionável

O exame encontrou. E agora? Como transformar achados cardiovasculares em população acionável

Entre 8 e 10 de outubro, o Riocentro, no Rio de Janeiro, recebeu o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em conjunto com o World Congress of Cardiology. A programação colocou prevenção, tecnologia e transformação digital no centro do debate. É o momento em que a cardiologia brasileira discute, com o mundo, o estado da arte do diagnóstico e do tratamento.

Para quem administra uma operadora ou um hospital, há uma pergunta que antecede qualquer avanço terapêutico. Todos os dias, a instituição realiza exames cardiovasculares que descrevem achados relevantes. Uma parte desses achados exige decisão assistencial. Outra parte nem era o motivo do exame. O que acontece com essas informações depois que o laudo é emitido?

O exame encontrou. E agora? É dessa pergunta que depende a transformação de um exame pago em uma oportunidade de cuidado.

/O custo cardiovascular não começa na internação

A dimensão financeira da doença cardiovascular no Brasil é conhecida, mas raramente é lida a partir da jornada. Segundo estimativa citada pelo Ministério da Saúde, o país registra entre 300 mil e 400 mil infartos por ano, com cerca de um óbito a cada cinco a sete casos. O Vigitel Saúde Suplementar, do Ministério da Saúde com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mostra que 26,3% dos adultos beneficiários de planos nas capitais e no Distrito Federal relataram diagnóstico médico de hipertensão em 2023, mais de um em cada quatro.

O estudo “Impacto Econômico das Doenças Cardiovasculares no Brasil”, publicado em 2025 na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde com dados do Ministério da Saúde e da ANS de 2019 a 2024, projeta para 2024 a 2029 uma média de mais de 553 mil internações anuais por doenças cardiovasculares ateroscleróticas no SUS, como infarto e AVC isquêmico, a cerca de R$ 2,4 bilhões por ano. Na saúde suplementar, a projeção é de mais de 129 mil internações anuais, a cerca de R$ 2,8 bilhões por ano. O custo médio por internação chega a R$ 22,3 mil na saúde suplementar, contra R$ 4,3 mil no SUS. Somados os custos diretos e indiretos, a projeção ultrapassa R$ 49 bilhões em cinco anos.

O impacto vai além da assistência. A Previdência Social concedeu 185.586 auxílios-doença por doenças do aparelho circulatório em 2024, contra 142.150 em 2023 e 112.751 em 2022, um crescimento de cerca de 65% em dois anos. Para empregadores e operadoras de planos coletivos, esse número se converte em afastamento, perda de produtividade e pressão sobre o reajuste.

Há uma frase que resume a lógica desse custo: o custo cardiovascular não começa na internação, mas muitas vezes é só na internação que o sistema percebe aquele paciente. Antes do evento, o paciente já fez exames, já teve achados descritos, já deixou rastros nos dados. O problema é que esses rastros não costumam gerar ação estruturada.

/Quatro tipos de exame, quatro perguntas de gestão

Cada tipo de exame cardiovascular traz uma pergunta diferente para o gestor. Organizá-las ajuda a entender onde a oportunidade se perde.

Imagem de coronárias. A angiotomografia de coronárias e exames similares documentam a presença e a extensão da doença coronariana. A Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica 2025 associa placas de alto risco e estenose significativa proximal a risco cardiovascular elevado no longo prazo. A pergunta de gestão é direta: quantos pacientes com doença coronariana documentada estão na sua base hoje, e quantos deles estão em acompanhamento estruturado?

Imagem funcional do miocárdio. Exames de perfusão miocárdica trazem uma lição sobre priorização: nem todo exame alterado tem o mesmo risco. Uma base de pacientes com exames alterados precisa ser separada em grupos, como A, B e C, com ações e prazos diferentes para cada um. Sem essa separação, a equipe trata todos com a mesma urgência, o que significa, na prática, tratar os mais graves com urgência insuficiente.

Teste ergométrico. É um dos exames mais realizados e um dos que menos geram continuidade estruturada. O teste terminou. A jornada também? Um resultado que sugere investigação complementar precisa de um caminho claro até a próxima etapa.

Grandes vasos. Exames de imagem do tórax e do abdome frequentemente descrevem achados em grandes vasos que não eram o motivo da solicitação. É o clássico achado incidental: está no laudo, mas o médico solicitante estava olhando para outra pergunta clínica. Sem um mecanismo de leitura sistemática, esse achado depende da atenção individual de quem recebe o laudo.

Nos quatro casos, o padrão se repete. A informação existe, está descrita em texto livre e não entra em nenhuma fila de trabalho.

/Da informação à população acionável: identificar, estratificar, priorizar, direcionar, monitorar

Transformar achados em cuidado exige uma sequência de cinco etapas. A primeira é identificar, isto é, localizar nos laudos e prontuários os pacientes com achados relevantes. A segunda é estratificar, separando esses pacientes conforme critérios clínicos definidos pela instituição. A terceira é priorizar, colocando no topo da fila os pacientes com maior necessidade de atuação. A quarta é direcionar, encaminhando cada paciente para a etapa assistencial adequada. A quinta é monitorar, acompanhando se a etapa aconteceu e reclassificando o paciente conforme novas informações.

É essa sequência que a level executa. Em hospitais e centros de diagnóstico, o level One leva o laudo à ação, com 10 módulos, integração a Tasy, MV e RIS/PACS e go-live em 4 a 8 semanas. Em operadoras e hospitais com prontuário eletrônico, a level Care lê qualquer fonte de dado, integrando BigQuery, Oracle, PostgreSQL, Tasy e HL7 FHIR, e acompanha a população ao longo do tempo, com Inteligência Financeira para dimensionar o impacto econômico e Mensageria Automática para acionar a próxima etapa.

A lógica de priorização é central para a sustentabilidade financeira. A level Care foi desenhada para encontrar os cerca de 2% de pacientes que concentram 80% dos custos. Em cardiologia, isso significa distinguir o paciente com doença coronariana documentada e sem acompanhamento do paciente com achado de menor relevância clínica.

Um cuidado de linguagem é indispensável. A level não previne infartos. O que ela faz é identificar e organizar oportunidades anteriores ao evento, para que a equipe assistencial possa atuar sobre elas. A decisão clínica continua com o médico. O que muda é que ele passa a receber, de forma estruturada, a informação que antes dependia da memória ou do acaso.

O Congresso Brasileiro de Cardiologia mostrou o que há de mais avançado em diagnóstico e tratamento. Mas o valor de cada avanço depende de uma condição anterior: o paciente certo precisa chegar à etapa certa no momento certo. Para operadoras e hospitais, essa condição não é clínica. É de gestão da informação.

O exame encontrou. A pergunta que cada instituição precisa responder é o que acontece depois. Se a resposta ainda depende de alguém ler o laudo e lembrar de agir, há uma população inteira de pacientes com achados relevantes esperando para ser vista.

Agende uma demonstração e veja como a level transforma achados cardiovasculares em população acionável.

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