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Todo mês de outubro, operadoras e hospitais intensificam as comunicações sobre mamografia. Os canais se enchem de lembretes, os sites ganham banners e as equipes de relacionamento disparam campanhas. Ainda assim, quando a campanha termina, poucas instituições conseguem responder com precisão a uma pergunta básica: quem, exatamente, deveria ter sido rastreada?
A pergunta parece simples, mas expõe a diferença entre dois modelos de cuidado. O INCA distingue o rastreamento oportunístico, que acontece quando a paciente procura o serviço ou quando o médico lembra de solicitar o exame, do rastreamento organizado, em que a instituição identifica a população-alvo, faz o convite, garante o seguimento e monitora os resultados. No primeiro modelo, a iniciativa está com a paciente. No segundo, está com a instituição.
Para quem responde pela operação, essa diferença tem uma consequência prática: o rastreamento organizado não começa no convite. Começa na identificação da população elegível. E essa é, com frequência, a etapa menos estruturada de toda a jornada do câncer de mama.
A jornada do câncer de mama tem quatro populações que costumam escapar do olhar da gestão. A primeira delas é a das mulheres que deveriam estar em rastreamento e não foram identificadas. Não se trata de pacientes que recusaram o exame ou que abandonaram um tratamento. Trata-se de pacientes que nunca chegaram a entrar em nenhuma lista.
Isso acontece por uma razão estrutural. Os critérios de elegibilidade combinam informações que vivem em lugares diferentes. A idade está no cadastro. A última mamografia está no faturamento ou no sistema de imagem. O histórico familiar, que pode alterar a estratégia de rastreamento, está em uma anotação de consulta, em texto livre. Um exame de imagem anterior pode ter sido feito em um prestador da rede e registrado apenas como item de SADT.
Quando essas informações não são cruzadas, a instituição consegue contar quantas mamografias fez, mas não consegue dizer quantas mulheres elegíveis ficaram sem exame. É uma diferença sutil, mas decisiva. A primeira métrica mede produção. A segunda mede cobertura.
O tamanho da população em jogo justifica o esforço. A Estimativa de 2026 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil no triênio 2026–2028, o que corresponde a cerca de 30% dos novos casos de câncer entre mulheres, excluído o câncer de pele não melanoma. Uma parcela relevante dessas pacientes passou por alguma instituição de saúde antes do diagnóstico. A questão é se essa instituição tinha condições de enxergá-las enquanto ainda eram apenas elegíveis.
Vale uma precisão importante. Uma paciente elegível sem rastreamento recente não é uma paciente que vai desenvolver câncer. A leitura correta é outra: trata-se de uma oportunidade de acompanhamento que a instituição está perdendo. E, em muitos casos, a paciente pode ter feito o exame fora da rede. Por isso, a identificação precisa distinguir “sem exame” de “sem evidência de exame nos dados disponíveis”. Essa distinção orienta a ação correta: verificar antes de convocar.
Durante muito tempo, o rastreamento organizado foi tratado no setor privado como uma boa prática desejável, mas distante da operação cotidiana. Esse cenário mudou. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu, na certificação de boas práticas em atenção oncológica conhecida como OncoRede, critérios ligados ao rastreamento do câncer de mama: o rastreamento individualizado de beneficiárias de 40 a 74 anos, com periodicidade conforme indicação médica, e a busca ativa pelas operadoras para o rastreamento bienal de beneficiárias de 50 a 69 anos. A adesão à certificação é voluntária, mas o sinal é claro: o regulador passou a reconhecer a busca ativa como critério de qualidade.
O debate que antecedeu a norma também é revelador. A Consulta Pública 144 da ANS recebeu mais de 63 mil contribuições e entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) defenderam a inclusão de mulheres de 40 a 49 anos. Independentemente da faixa etária adotada por cada instituição, o ponto comum a todas as posições é o mesmo: a operadora precisa saber quem é a sua população e agir sobre ela.
Para o COO, isso se traduz em quatro capacidades operacionais que o modelo organizado exige:
Nenhuma dessas etapas é complexa isoladamente. O desafio está em executá-las de forma contínua, para uma base inteira, sem depender de planilhas e cruzamentos manuais que envelhecem no dia seguinte.
A level Care foi desenhada para executar essa lógica de forma contínua. No módulo de Identificação e Rastreio do Câncer de Mama, a plataforma identifica automaticamente as mulheres elegíveis para o programa de rastreamento, acompanha a realização das mamografias e analisa os resultados dos exames com modelos de inteligência artificial enriquecidos por protocolos clínicos e regras assistenciais desenvolvidas pela equipe multidisciplinar da level.
Na prática, isso significa ler as fontes que a instituição já tem. O módulo analisa mamografia digital, incluindo tomossíntese, ressonância magnética das mamas, ultrassonografia das mamas e axilas, laudos anatomopatológicos, dados de prontuário eletrônico, dados de internação e pronto-socorro, prescrições e dados de utilização. Do prontuário, extrai o histórico familiar de câncer de mama. Dos laudos, extrai a categoria BI-RADS quando ela está explícita.
Com essas informações, a população é organizada em grupos acionáveis: elegíveis sem rastreamento recente, elegíveis com intervalo vencido, pacientes com histórico familiar relevante, pacientes com achado que demanda atuação prioritária. A cada novo exame ou informação clínica, a classificação é atualizada automaticamente.
A etapa de acionamento também pode ser automatizada. A Mensageria Automática da level Care dispara convocações e lembretes conforme as regras definidas pela instituição e devolve para a equipe assistencial os casos que precisam de contato humano. O resultado é uma fila de trabalho ordenada por prioridade clínica, e não por ordem de chegada.
O modelo já foi aplicado em oncologia na saúde suplementar. Na Unimed Tubarão, a level Care analisou mais de 50 mil pacientes, colocou 4.775 beneficiários em linha de cuidado ativa, priorizou 543 pacientes de alto risco e reduziu o tempo de captação de 100 para 10 dias, uma redução de 90%, com 6 linhas de cuidado funcionando de forma automática.
O rastreamento organizado do câncer de mama costuma ser discutido a partir do exame. Mas o exame é a terceira etapa do processo, não a primeira. Antes dele, a instituição precisa saber quem é a sua população elegível e em que situação cada paciente se encontra. Sem essa base, qualquer campanha de convocação atira no escuro, alcançando quem já está em dia e deixando de fora quem mais precisaria de contato.
Para operadoras e hospitais, a agenda de 2027 já está desenhada pelo próprio setor: certificação de boas práticas, busca ativa, indicadores de cobertura. A diferença estará entre as instituições que continuarão contando exames e as que passarão a medir cobertura, paciente a paciente.
Se a sua operação quer entender como identificar a população elegível a partir dos dados que já possui, fale com um especialista da level.
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