Oct 14, 2026

A paciente que rastreou e não voltou: a perda de recorrência na jornada do câncer de mama

A paciente que rastreou e não voltou: a perda de recorrência na jornada do câncer de mama

Existe uma paciente que quase nenhum painel de gestão consegue mostrar. Ela fez uma mamografia há alguns anos. O resultado foi normal. Depois disso, não há novo registro de rastreamento na rede. Ela não teve internação, não teve achado, não gerou alerta. Para os sistemas da instituição, está tudo bem.

É justamente por isso que ela se torna invisível. Na jornada do câncer de mama, a paciente que rastreou no passado e perdeu a recorrência forma a segunda das quatro populações que costumam escapar da gestão. Diferente da paciente nunca rastreada, ela já demonstrou adesão ao cuidado. Diferente da paciente com achado, ela não tem nenhum sinal clínico que chame atenção.

Este artigo discute por que a recorrência é um indicador subestimado, como a cobertura de rastreamento costuma ser medida de forma a esconder esse problema e o que uma instituição precisa para enxergar essa população.

/Por que medir exames não é o mesmo que medir recorrência

A forma mais comum de acompanhar o rastreamento mamográfico é contar exames. Quantas mamografias foram realizadas no ano? Quantas em mulheres na faixa etária-alvo? Esses números são úteis para dimensionar produção, mas escondem uma distinção importante: a mesma quantidade de exames pode representar populações muito diferentes.

Um exemplo ajuda a visualizar. Se uma parte das pacientes faz mamografia todos os anos e outra parte não faz há três anos, a instituição pode ter um volume de exames aparentemente adequado e, ao mesmo tempo, uma parcela relevante da população elegível sem nenhum acompanhamento recente. A contagem de exames não diferencia a paciente que faz o exame com regularidade daquela que desapareceu.

Os dados nacionais mostram como a métrica escolhida muda a leitura. Um levantamento da Lifeshub com dados do Siscan, do IBGE e da ANS usou a razão de mamografias, que compara o número de exames realizados com metade da população feminina de 50 a 69 anos, e estimou que os planos de saúde realizaram 73% das mamografias necessárias para esse público em 2024, contra 37% no SUS. Já o INCA aponta que a cobertura efetiva do rastreamento mamográfico no SUS foi de 24,2% no biênio 2023–2024.

A comparação entre razão de exames e cobertura efetiva ilustra o ponto central. Razão de exames mede volume. Cobertura mede pessoas. Uma operadora com razão aparentemente confortável pode ter, dentro da sua carteira, um contingente expressivo de mulheres com intervalo vencido, compensado estatisticamente por outras que fazem o exame com frequência maior do que a recomendada.

/Quem é a paciente que perdeu a recorrência

Para identificar essa população, a instituição precisa responder a três perguntas para cada paciente elegível. Ela tem rastreamento anterior registrado? Quando foi o último exame? O intervalo desde o último exame está dentro do recomendado pelo protocolo da instituição?

As respostas dependem de cruzar fontes que raramente conversam. O exame pode estar no sistema de imagem de um hospital próprio, no faturamento de um prestador credenciado ou em uma guia de SADT. O protocolo pode variar conforme a idade e o risco da paciente, e o risco pode depender de um histórico familiar registrado apenas em texto livre no prontuário.

Há também uma precisão de linguagem indispensável. A ausência de novo exame nos dados não significa que a paciente abandonou o cuidado. Ela pode ter mudado de plano, feito o exame em outro serviço ou pago particular. Da mesma forma, a perda de recorrência não significa que essa paciente vá desenvolver câncer. O que ela representa é uma oportunidade de acompanhamento que a instituição deixou de exercer. A lista de pacientes com intervalo vencido é, portanto, um ponto de partida para verificação e contato, e não uma conclusão sobre a situação clínica.

Do ponto de vista assistencial, essa população tem uma vantagem: ela já conhece o caminho. Já fez o exame, já passou pelo serviço, já tem relação com a instituição. O esforço de reativação tende a ser menor do que o necessário para trazer uma paciente que nunca se rastreou. Por isso, a recorrência é um dos indicadores com melhor relação entre esforço e resultado em um programa de rastreamento organizado.

Há também um componente de receita para prestadores. Em uma clínica de diagnóstico, a identificação de pacientes de mamografia sem follow-up gerou 353% de receita adicional. Para centros de imagem e hospitais com serviço de diagnóstico, a recorrência não é apenas um indicador de qualidade. É um indicador de retenção.

/Como a level Care torna visível quem não voltou

A level Care monitora continuamente a população elegível e identifica as pacientes que não realizaram a mamografia no período recomendado. A plataforma reúne, em um único local, as informações de sistemas distintos e reclassifica cada paciente sempre que um novo exame ou informação clínica entra na base.

O resultado é uma visão por paciente, e não apenas por volume. A instituição passa a saber quantas pacientes têm rastreamento anterior com intervalo vencido, há quanto tempo cada uma está sem exame e quais delas têm fatores que justificam prioridade, como histórico familiar relevante registrado no prontuário.

A partir dessa lista, a Mensageria Automática pode acionar as pacientes conforme as regras definidas pela instituição, com convocações e lembretes proporcionais à prioridade. A equipe assistencial recebe os casos que exigem contato humano e deixa de gastar tempo com a montagem manual de listas.

Na Unimed Tubarão, essa lógica aplicada à oncologia levou 4.775 beneficiários para linha de cuidado ativa e reduziu o tempo de captação de 100 para 10 dias.

A paciente que rastreou e não voltou é, talvez, a mais fácil de trazer de volta e a mais difícil de enxergar. Ela não gera alerta, não aparece em relatório de sinistro e não reclama. Só se torna visível quando a instituição passa a medir cobertura por paciente, e não volume de exames.

Para diretores clínicos, incluir a recorrência entre os indicadores do programa de rastreamento é uma decisão de baixo custo e alto impacto. Ela revela uma população que já confia na instituição e que, com a abordagem certa, pode retomar o acompanhamento.

Quer saber quantas pacientes da sua base estão hoje com o intervalo de rastreamento vencido? Fale com um especialista da level.

A paciente que rastreou e não voltou: a perda de recorrência na jornada do câncer de mama
Impacto financeiro real

Eleve o nível das decisões financeiras da sua instituição

A receita já está nos seus dados. Vamos mostrá-la para você.