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Para a diretoria financeira de uma operadora, o câncer aparece quase sempre como um número consolidado. Ele surge no relatório de sinistralidade, na análise de alto custo, na negociação de reajuste de um contrato coletivo. O que raramente aparece nesse relatório é a jornada que produziu aquele número.
Essa ausência tem consequências. Quando o custo oncológico é analisado apenas a partir do tratamento, a única alavanca disponível parece ser a negociação com prestadores e fornecedores. Mas uma parte relevante do perfil de custo de um caso de câncer de mama é definida antes, nas etapas de rastreamento, investigação e tempo até o tratamento.
A pergunta que orienta este artigo é a mesma que orientou um dos cases mais relevantes da level em oncologia: quanto do seu sinistro de onco poderia ter sido evitado com rastreio 12 meses antes?
O cenário financeiro do setor em 2025 foi, no agregado, positivo. Mas a leitura agregada esconde pressões específicas, e a oncologia é uma das mais consistentes. O Mapa Assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com ano-base 2024, registrou alta real de 128% nos gastos com medicamentos em terapias oncológicas entre 2019 e 2024; no mesmo período, os gastos com medicamentos em geral cresceram 86%. Em 2024, os medicamentos representaram 78,6% das novas incorporações ao Rol, sendo 70,5% deles antineoplásicos orais.
O Instituto de Estudos e Saúde Suplementar (IESS) também mapeou a trajetória por modalidade, em valores corrigidos. Nas cooperativas médicas, as despesas oncológicas com medicamentos passaram de R$ 884 milhões em 2019 para R$ 1,874 bilhão em 2024; nas autogestões, de R$ 477 milhões para R$ 1,329 bilhão; nas seguradoras, de R$ 367 milhões para R$ 601 milhões; e nas medicinas de grupo, de R$ 199 milhões para R$ 514 milhões. Dados da 10ª Pesquisa de Benefícios da Lockton Brasil, conduzida pela equipe People Solutions & Analytics LATAM, indicam que os medicamentos oncológicos avançaram 304% em volume e 228% em gastos, passando a representar 18,47% do total farmacêutico da base analisada.
Esses números mostram apenas uma parte da conta, a de medicamentos. Cirurgia, radioterapia, internações e exames completam o custo de cada caso. E é justamente aí que a jornada faz diferença.
A relação entre o momento do diagnóstico e o custo do tratamento é conhecida na literatura internacional. Os dados brasileiros de saúde suplementar a tornam concreta. Um levantamento da Funcional com contas médicas de operadoras entre 2019 e 2024, envolvendo 15.994 pacientes em tratamento, encontrou custo médio de R$ 41.443 nos casos de câncer de mama em estágio inicial e de R$ 128.296 nos casos mais avançados; nas palavras da própria empresa, “o custo médio do tratamento do câncer de mama em estágio avançado é três vezes maior”.
O contexto nacional reforça a relevância. A coorte retrospectiva AMAZONA, do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM), com 2.296 mulheres em estádios I a III, 80,8% delas atendidas no SUS, encontrou 23,3% dos diagnósticos em estádio I, 53,5% em estádio II e 23,2% em estádio III, ou seja, mais de 76% dos casos além do estádio inicial. O AMAZONA III (GBECAM 0115), coorte prospectiva com 2.950 mulheres de 23 centros públicos e privados entre 2016 e 2018, registrou 68,6% dos casos já em estádio II ou III no diagnóstico. O estádio III foi mais que o dobro mais frequente entre as pacientes do SUS do que na saúde suplementar: 33,5% contra 14,7%. Na rede privada, o cenário é mais favorável: segundo dados repercutidos pela CNN Brasil, 41,4% das pacientes da rede privada foram diagnosticadas em estágio I, contra 21,2% no SUS; mas a distância para o padrão de países com rastreamento organizado permanece.
É preciso cautela na leitura desses dados. Eles não autorizam nenhuma promessa de que uma intervenção específica alterará o estadiamento de uma paciente específica. A organização da jornada não previne o câncer nem garante diagnóstico precoce. O que os dados sustentam é uma tese de gestão: existe valor financeiro em saber, com antecedência, quem está elegível e sem rastreamento, quem teve achado sem aprofundamento e quem foi diagnosticada e ainda não iniciou tratamento na rede. São essas as populações em que a atuação assistencial pode acontecer antes que o custo se consolide.
Para o CFO, a jornada do câncer de mama pode ser lida como uma sequência de pontos de decisão, cada um com um indicador financeiro associado.
Elegibilidade e recorrência. Quantas beneficiárias elegíveis estão sem rastreamento recente ou com intervalo vencido? Esse indicador dimensiona a população sobre a qual a operadora ainda pode atuar de forma programada, com custo previsível.
Achado sem aprofundamento. Quantos laudos com achado que pedia investigação não têm evidência de continuidade? Cada caso é um ponto em que o custo futuro depende de uma etapa que ainda não aconteceu.
Tempo até o tratamento. Qual é o intervalo entre diagnóstico e início do tratamento? E quantas diagnosticadas não têm evidência de tratamento na rede, o que pode representar tanto atraso quanto perda de retenção?
Concentração de risco. A level Care foi desenhada para identificar os cerca de 2% de pacientes que concentram 80% dos custos e colocá-los no topo da fila assistencial. O módulo de Inteligência Financeira conecta essa priorização à leitura econômica da carteira.
O case da Unimed Tubarão mostra como essa lógica se traduz em resultado. Com a level Care em oncologia, a operadora analisou mais de 50 mil pacientes, colocou 4.775 beneficiários em linha de cuidado ativa, priorizou 543 pacientes de alto risco e estruturou 6 linhas de cuidado automáticas. Em menos de um ano, foram R$ 8,9 milhões em economia identificada, e o tempo de captação caiu de 100 para 10 dias, uma redução de 90%.
Para a diretoria financeira, o número mais revelador talvez seja o último. Cada dia entre a identificação de uma paciente e sua entrada na linha de cuidado é um dia em que a jornada acontece sem gestão. Reduzir esse intervalo em 90% significa antecipar a atuação sobre toda a população prioritária. O retorno observado em clientes da level Care fica entre 5 e 12 vezes o investimento.
O sinistro oncológico não começa na conta do tratamento. Ele começa muito antes, nas etapas em que a jornada da paciente poderia ter sido organizada. Para operadoras que querem proteger a sustentabilidade financeira sem depender apenas da negociação com prestadores, a jornada é a alavanca menos explorada.
A boa notícia é que a informação necessária já está na base da operadora, em laudos, prontuários, SADT e utilização. O que falta, na maioria dos casos, é a camada que lê esses dados de forma contínua e transforma cada lacuna em uma paciente identificada, priorizada e acompanhada.
Se faz sentido olhar para o sinistro oncológico da sua carteira com essa lente, fale com um especialista da level.
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